O diretor-Geral da PF, Fernando Segovia, se reuniu na tarde desta segunda-feira, 19, com o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, para explicar as declarações publicadas pela agência Reuters em que teria sinalizado a tendência de arquivamento de inquérito contra o presidente Michel Temer que investiga irregularidades no decreto dos Portos.

A entrevista com Segovia foi publicada em 9 de fevereiro, na qual ele teria dito que não havia provas contra o presidente. Assim, segundo a agência, ele indicou o arquivamento. A fala teve grande repercussão. Um dia depois, o ministro Barroso, que é relator do inquérito no STF, cobrou explicações, "tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal", afirmou o ministro em despacho de intimação. Os esclarecimentos foram entregues ao ministro pelo próprio diretor.

Nas explicações, Segovia negou que tenha sinalizado o arquivamento do inquérito do presidente Michel Temer, e que suas declarações “foram distorcidas e mal interpretadas” e que “em momento algum pretendeu interferir no andamento do inquérito” ou induzir arquivamento.

Por fim, Segovia garantiu a Barroso que “não teve a intenção de ameaçar o delegado” responsável pelas investigações e ainda se comprometeu a não fazer mais comentários sobre o caso que envolve Michel Temer.

Veja o despacho.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República também aguarda esclarecimentos, e deu o prazo de dez dias para manifestação de Segovia.

Temer é investigado pela edição de um decreto sobre o setor de portos. A suspeita é que a medida pode ter beneficiado a empresa Rodrimar. A investigação foi pedida ainda na gestão do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

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