Revolução da Urbanização 1

Em abril de 2013 ocorreu, na Cidade do Cabo, a Conferência sobre Infraestrutura Africana Urbana, do IC Eventos, com experts de todo o mundo. Urbanização é o futuro. Em 2020, o continente terá 122 milhões de pessoas compondo sua força produtiva. Em 2030, as dezoito maiores cidades africanas contarão com um poder aquisitivo de $1.3 trilhão. Em 2050, 1.26 bilhão de pessoas morarão em cidades, número maior do que a população de todo o continente atualmente. Não sem razão, o Group Publisher, responsável pela revista African Business, lançou a African Cities, publicação cujo foco da primeira edição é Angola. O editorial final, assinado por Omar Bem Yedder, é aberto com uma citação do “great” Oscar Niemeyer: "A humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria, ainda que seja somente por um instante".

Revolução da Urbanização 2

A African Cities traz texto de extrema qualidade do professor Ivan Turok, Diretor Executivo do Human Sciences Research Council, na África do Sul. Ele chama a atenção para os riscos gerados pela falta de planejamento urbano e ilustra com a explosão do Ebola nas favelas de Monrovia, na Libéria, e de Freetown, em Serra Leoa. Destacando a importância de “instituições responsáveis governarem as cidades”, o professor defende que “uma política nacional urbana gera ganhos em produtividade, geração de empregos e no padrão de vida”, pois a “urbanização tem claramente sido uma força transformadora, gerando maior produtividade, dinamismo empreendedor e prosperidade crescente”. A última frase de Turok é sábia: “Políticas urbanas precisam de uma dimensão econômica”. Uma inspiração para somar esforços no Brasil.

Assassinato

O professor de Direito Constitucional da Universidade Eduardo Mondlane, Gilles Cistac, terminava seu café da manhã no centro de Maputo, Moçambique, dia 3 de março, quando foi alvejado por tiros disparados de dentro de um carro. Francês, naturalizado moçambicano, Cistac trabalhava no país há 22 anos. Ele havia defendido publicamente que o Renamo, grupo opositor ao partido da situação, o Frelimo, encontraria base legal para que as províncias tivessem de volta o poder que lhes havia sido tomado. Isso representava mais autonomia. O assassinato expõe um lado cruel da política moçambicana e atira sangue sobre a trajetória de um constitucionalista que jamais fugiu da responsabilidade de defender suas convicções.

#RhodesMustFall

A campanha “Rhodes Must Fall”, liderada por estudantes da Universidade da Cidade do Cabo, pede a destruição da estátua do colonizador Cecil Rhodes, no centro do campus. A ideia começa a ganhar corpo. O ativista de Direitos Humanos Sulyman Stellenboom, por exemplo, deu início a sua própria campanha. Semana passada, ele percorreu a Cidade do Cabo procurando estátuas de colonizadores ou defensores do apartheid. Na estátua de Jan Smuts, pendurou uma placa: "Eu tenho sua terra. E aí?". Sobre a estátua de Jan van Riebeeck, escreveu: "Eu roubei sua terra. E aí?”. Já sobre a esposa de Riebeeck, Maria, ele pendurou um cartaz com os dizeres: "Ele estuprou sua mulher. E aí?". Segundo o Departamento de Arte e Cultura, contudo, a permanência das estátuas compõe uma política nacional de reconciliação, reconstrução da nação e coesão social. Madiba deve estar se revirando no túmulo.

Hate Speech 1

Gloria Kente, empregada doméstica, obteve uma decisão determinando o pagamento de R50.000 em danos, após ser ofendida por Andre van Deventer, que a chamou de "kafir", um termo criminalizado na África do Sul que expressa, de uma forma abjeta, desprezo por pessoas negras. Van Deventer foi condenado por hate speech em Outubro e, nesses cinco meses, não honrou a determinação judicial. A condenação incluiu dois anos de prisão domiciliar e 70 horas de trabalho comunitário. Kente, hoje desempregada, vive num barraco em Mfuleni, com duas das suas crianças e três netos.

Hate Speech 2

O sul-africano Jacques Potgieter, numa disputa de Super Rugby na Austrália, chamou dois jogadores do Brumbies de "faggots", expressão que, quando referida a heterossexuais, visa depreciá-los, diminuindo, com isso, os gays. Pela atitude, Potgiete, que joga no Waratahs, foi condenado pela União Australiana de Rugby a pagar R 190.000. O jogador chegou a integrar o Springbok, seleção nacional da África do Sul.

Black Economic Empowerment

Ben Turok, diretor do Instituto para Alternativas Africanas, afirmou que a política sul-africana BEE (Black Economic Empowerment), tem contribuído para a desindustrialização do país. Para ele, companhias de mineração têm passado a escolher seus fornecedores considerando os critérios da política, cuja uma das exigências é ter como fornecedores empresas dirigidas por negros. Todavia, essas empresas importam os itens necessários às companhias de mineração, tomando o lugar de quem anteriormente abastecia as minas com produtos locais. O maquinário pesado, por exemplo, vinha do próprio país. Agora, é importado. É um efeito colateral gerado pela política que tem sido alvo de intensa crítica na África do Sul.

Maratona

Aconteceu nesse final de semana o J.P. Morgan Corporate Challenge, uma maratona em Johannesburg de 5.6 quilômetros. Fundada em Nova Iorque, em 1977, a maratona ocorre em sete países, em cinco continentes. Na África do Sul, na sua 12ª edição, são 13.000 corredores representando 227 companhias. O Standard Bank teve 685 corredores. Já o Nedbank, 550. A KPMG foi representada por 546 maratonistas. O Investec, por 500. O Liberty, por 454. O Rand Water, por 425. A Deloitte contou com 404 corredores. A Dimenson Data, por fim, com 298. O dinheiro arrecadado na maratona será doado para a Laureus Sport for Good Foundation.

Jazz

Ocorreu, nesse final de semana, o The Cape Town International Jazz Festival, no Centro de Convenções Internacional da Cidade do Cabo. Com a presença de grandes nomes mundiais, 35.000 amantes do jazz fizeram parte do espetáculo.

Cidade do Cabo

O site TripAdvisor incluiu a Cidade do Cabo entre os dez melhores destinos do mundo. Belezas naturais como a Blaauwberg Beach, o jardim botânico Kirstenbosch, o Cabo da Boa Esperança e Robben Island estão entre os lugares avaliados.

outras edições
Saul Tourinho Leal

Saul Tourinho Leal é doutor em Direito pela PUC/SP, professor do IDP e autor de vários livros, dentre eles, "Direito à Felicidade", cujas pesquisas serviram de base para o voto do ministro Celso de Mello, do STF, no julgamento sobre as uniões homoafetivas. Foi professor visitante na Universidade Georgetown e funcionou como International Expert perante a Comissão de Implementação da Constituição do Quênia. Atualmente, mora na Cidade do Cabo, África do Sul, realizando pesquisas em sua área vinculada ao escritório Pinheiro Neto Advogados.