A hipersensibilidade do câmbio será colocada à prova hoje mais uma vez com a divulgação de um novo Datafolha para presidente.

O tranco produzido ontem por agentes econômicos e políticos concentrou em um único dia doses cavalares de adrenalina. Resultado: a cotação do dólar fechou no patamar histórico de R$ 4,19.

O recorde contribuiu para banalizar ainda mais o significado da expressão 'eleições imprevisíveis'.

Fernando Haddad agora é cabeça de chapa do PT e Jair Bolsonaro (PSL) não sairá do hospital no tempo que se previa. Esse 'combo' resgata em cores vivas memórias e tensões de outras épocas.

A interpretação apaixonada e/ou interessada da conjuntura se encarrega de incrementar a realidade.

Neste momento, entre outras coisas, bolhas especulativas que sempre se aproveitam para se projetar avançam a passos largos.

A divulgação dos números da pesquisa está prevista para ocorrer às 19h.

Parte da criatividade do mercado já está atrelada ao preço da moeda americana e deverá se manifestar ao longo do dia.

O restante fica por conta do que virá. E isso o olhar viciado dos analistas não é capaz de prever.

Governo 1

O que fica

Na esteira dos balanços que passou a consolidar em diversas áreas da administração, o Planalto tem estimulado experiências e ideias que (se o próximo presidente quiser!) poderão ter continuidade a partir de 2019.

O Ministério do Planejamento retomou parte de suas atribuições enquanto núcleo pensante de políticas públicas e tem sido (na medida do possível!) um laboratório para o que pode ser referência durante a transição pós-eleições.

A pasta está 1) revisando e ajustando métodos de administração do patrimônio público, 2) aprimorando a elaboração e o controle da execução do Orçamento da União e 3) refinando normas que poderão apoiar projetos e ações na área de recursos humanos.

Governo 2

Ritmo e realidade

A relação financeira da União com os municípios e seus fluxos também começaram a ser revistas.

O drama desde sempre é fazer com que o dinheiro central chegue às localidades sem esbarrar em tanta burocracia.

Mas, neste caso, o pouco tempo tem sido implacável com a área técnica.

A missão de aprimorar os sistemas pode não ter um desfecho até dezembro.

Judiciário

Juízes nas redes

O novo presidente do STF, Dias Toffoli, vai assumir o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) disposto a encampar pautas reformistas.

Há, por exemplo, processos que avaliam a conduta funcional de juízes pelo de redes sociais.

O conceito de 'manifestação pessoal' e o impacto disso nos casos em que os magistrados atuam serão discutidos.

Crise mundial

10 anos depois...

A quebra do banco Lehman Brothers, um dos símbolos do estouro da bolha imobiliária americana, completará 10 anos amanhã.

Ao longo da semana, especialistas e mídia relembraram a o que passou e seus reflexos.

Para quem tiver tempo e curiosidade, vale assistir a uma animação produzida pelo jornal The Guardian (em inglês) sobre um dos 'aniversários' da crise.

É um bom resumo do que aconteceu e como.

Agenda

Presidenciáveis 1 - Fernando Haddad (PT) concede entrevista hoje ao Jornal da Globo.

Presidenciáveis 2 - João Goulart (PPL) é o entrevistado de hoje do G1 e da CBN.

Serviços - O IBGE divulga hoje a Pesquisa Mensal de Serviços de julho.

Nos jornais

Bolsonaro - As novas cirurgias a que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido levaram o comando de sua campanha a redefinir a estratégia até a eleição. Uma das alternativas é que dirigentes se dividam em compromissos pelo país. (todos os veículos)

Mourão - Vice de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão (PRTB) defendeu ontem que o país faça uma nova Constituição, mas não necessariamente por meio de uma Assembleia Constituinte: "Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo". (O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e Valor Econômico)

Sabatina 1 - Geraldo Alckmin (PSDB) participou ontem de sabatina realizada por O Globo, Valor Econômico e Época. O tucano tentou desvincular o PSDB do legado de Michel Temer. (O Globo e Valor Econômico)

Sabatina 2 - Também em sabatina, Henrique Meirelles (MDB), ao ser questionado se levaria o presidente Michel Temer a um cargo de ministro, afirmou que não pretende fazer nomeações antes da hora. (Folha de S.Paulo)

STF - O ministro José Antonio Dias Toffoli tomou posse ontem como presidente do STF para o biênio 2018-2020. O vice-presidente é o ministro Luiz Fux. (todos os veículos)

Câmbio - As incertezas eleitorais criadas a partir da internação de Jair Bolsonaro (PSL) e da oficialização da candidatura de Fernando Haddad (PT) causaram ontem, segundo analistas, a alta recorde do dólar para R$ 4,19. (manchete do O Globo e de O Estado de S. Paulo)

Funcionalismo - O gasto de todo o Poder Judiciário com folha de pagamento cresceu 11% (ou R$ 8,1 bilhões) de 2014, ano que marca o início da crise econômica, a 2017. No mesmo período, a economia do país se retraiu 5,6%. (manchete da Folha de S.Paulo)

Bancos - Dez anos depois da quebra do banco americano Lehman Brothers, pivô da crise mundial, os bancos brasileiros estão ainda mais sólidos. Na ocasião, já estavam submetidos a regras prudenciais mais conservadoras, mas, após a turbulência, também foram obrigados a fortalecer seu capital. (manchete do Valor Econômico)

Energia - A bandeira vermelha nas contas de luz deverá continuar até o fim do ano. A previsão foi feita pelo diretor-geral do Operador Nacional do Setor Elétrico, Luiz Eduardo Barata. As usinas termelétricas, deverão continuar ligadas mesmo com o início do período chuvoso. (O Estado de S.Paulo e O Globo)

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