Nossa amiga Batira Vracovsky pergunta:

"Alexandre, o mercado jurídico está bastante disputado. Eu tento arrumar emprego há mais de um ano em escritórios e até agora nada. Alguma dica para acelerar minha recolocação? Ou quem sabe você pode me contratar?"

Batira, obrigado pela pergunta. O mercado realmente está um pouco complicado para quem está tentando uma colocação ou recolocação. Mas sinto também que a onda de contratação está aumentando cada vez mais. Sou dono de uma empresa de recrutamento jurídico e cada vez mais os escritórios e departamentos jurídicos estão nos pedindo contratações, indicando que assim o aquecimento nos negócios e consequentemente maior necessidade de mão de obra qualificada.

Veja que a última parte da frase anterior é a chave para a contratação: ser mão de obra qualificada. Vejo muita gente reclamando, culpando tudo e todos, desde governo até as estrelas, quando na verdade o destino é a gente que faz. E se isso é verdade, qual a ajuda que você está dando para o destino te ajudar? É importante entender que o mercado tem um leque muito grande de profissionais capacitados. Porque ele deveria escolher uma pessoa menos capaz (ou pelo menos que se mostra menos apta) do que uma pessoa que claramente está investindo na sua educação? A OAB promove gratuitamente dezenas de cursos e palestras que ajudam o advogado a crescer e se promover mais qualificadamente, tanto no mercado, quanto no currículo. Você está se envolvendo nisso? Assistir novela ou jogo a noite é bastante legal, mas não vai te trazer muito resultado na hora de ser escolhido para uma posição. Se envolver em estudos e crescimento profissional vai. Esta portanto é a primeira pergunta que você deveria se fazer: será que estou sendo visto como mão de obra desejável? Será que meu currículo impressiona?

Além desta chave primordial para contratação, outros detalhes – que vejo comumente acontecer na empresa – podem ser evitados. Veja algumas gafes que as pessoas cometem:

Dificultar a leitura do CV: erros de português, erros de digitação e falta de padronização fazem com que imediatamente você coloque uma estampa no seu currículo dizendo "inadequado aos padrões atuais". Se você não consegue corrigir ou revisar corretamente seu CV que vai para milhares de pessoas, imagina o que aconteceria no trabalho efetivo se contratado. Falar e escrever bem o próprio idioma é, e sempre vai ser, o básico de um bom profissional, ainda mais se falando de um advogado.

Falta de atenção: muitas vezes o anúncio da vaga é claro: "envie seu CV para o e-mail xxx@xxx.com.br com o nome da vaga no assunto". O que a pessoa faz? Manda para um e-mail geral da empresa (que não é o que foi divulgado) com o assunto "segue meu CV". Ponto negativo em atenção aos detalhes.

Falta de disponibilidade: são inúmeros os casos de pessoas que acreditam que os escritórios ou empresas podem aguardar um tempo ilimitado para a contratação. Então acabamos escutando pérolas como "amanhã não posso fazer entrevista. Pode ser depois do carnaval?", "estou curtindo essa semana na praia, podemos reagendar para minha volta?" ou outras diversas que são realmente hilárias. Se o carnaval ou praia são mais importantes do que a conquista de um bom emprego na sua escala de prioridades, você realmente não está maduro o suficiente para ter um bom emprego.

Forma errada: simplesmente colocando, cuidado na hora de colocar os nomes dos destinatários no envio de um currículo. Tem gente que copia 30 e-mails, todos em aberto (existindo assim a possibilidade de que quem recebe veja os outros copiados) e ainda coloca no corpo do e-mail algo como "sabendo da solidez de sua empresa, me candidato....". Isso obviamente soa como mentira para o recrutador. Trabalhar e-mails em massa para procurar emprego só mostra que você não é tão perfeccionista como geralmente fala nas entrevistas.

Falta de noção: é importante entender que detalhes são percebidos pelos recrutadores e, portanto, um deslize pode ser o ponto que faltava para seu currículo ser descartado. O e-mail do remetente é um caso clássico. Um exemplo simples de erro relacionado ao remetente do currículo é quando chega um CV de um remetente (uma esposa ou uma mãe) e o CV anexado é de outra pessoa (marido ou filho). Será que a pessoa que quer um emprego não tem e-mail? Será que ela não sabe mexer com e-mail? Estranho não? Esse é um caso simples. Um caso mais complicado é quando remetente é claramente sem noção nenhuma em termos de visualização. Posto isso, já recebemos currículos (casos reais) de e-mails como gostosinha94@, noisebandido@, casalswing2000@, cuecadosuperman@ e o mais interessante de todos para alguém que quer um emprego: odeiotrabalhar@. Eu, depois de sempre ter um ataque de risos ao ver esses detalhes, me pergunto: como um rapaz quer arranjar trabalho com o e-mail odeiotrabalhar@? Pura falta de entendimento do que o mercado espera de um profissional adequado.

Enfim, essas são algumas dicas para que se recoloque rapidamente. Tenho certeza que em breve você será mais uma advogada atuante no mercado. Boa sorte!

Espero ter ajudado.

Confira toda sexta-feira a coluna "Marketing Jurídico" e envie suas dúvidas sobre marketing jurídico, gestão de escritórios, cotidiano dos advogados empreendedores ou dúvidas gerais sobre o dia a dia jurídico por e-mail (com o título Coluna Marketing Jurídico) que terei um grande prazer em ajudar.

Bom crescimento!

 

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Alexandre Motta

Alexandre Motta é consultor e sócio diretor do Grupo Inrise. Com formação e pós-graduação em marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atuou durante cinco anos em escritório jurídico como responsável pela área de desenvolvimento de negócios e comunicação com clientes. É palestrante oficializado pela OAB (tendo recebido inclusive a Medalha do Mérito Jurídico), escreve artigos de relevância para o mercado atual e é autor dos livros "Marketing Jurídico – Os Dois Lados da Moeda" e "O Guia Definitivo do Marketing Jurídico". Apresenta também o programa de entrevistas Conversa Legal, focado na interatividade dos profissionais do setor jurídico. Desde 2002 mantém, através de sua consultoria, uma clientela de inúmeros escritórios jurídicos sob sua responsabilidade de atuação e crescimento em marketing ético.