Nosso amigo Victor Gasparini pergunta:

"Prezado Alexandre, parabéns pela coluna. Estou acompanhando semanalmente e gostando bastante das dicas. Aproveitando o ensejo, acredito que você deva estar a par da polêmica criada pela tentativa de criminalização do coaching. Qual sua opinião?"

Victor, obrigado pela pergunta. Realmente é uma polêmica que está dando o que falar. Para quem não está acompanhando, o sergipano William Menezes quer criminalizar o coaching e já conta com o apoio de mais de 14 mil pessoas. Ele alega que esse é um importante passo que, segundo ele, "não permitirá o charlatanismo de muitos autointitulados formados sem diploma válido".

O ponto aqui, pelo menos na minha opinião, é separar os bons profissionais dos autointitulados, conforme ele mesmo fala. E a verdade, pura e simples, é que hoje existem milhares de "profissionais" no mercado com habilidade/experiência/estudo iguais a zero e que se promovem como se fossem os salvadores da pátria para os mais incautos.

É comum hoje ver, portanto, "coachs" de vida que nunca construíram nada em sua própria existência. "Coachs" financeiros que não tem um tostão em suas contas bancárias. "Coachs" de vendas e resultados que nunca conseguiram segurar um emprego. "Coachs" matrimoniais com 3 casamentos fracassados e por aí vai. Seria cômico se não fosse trágico.

Isso acontece porque não existe uma regularização adequada da profissão e, portanto, qualquer um pode "virar" e se intitular um "profissional renomado no mercado que pode resolver seus problemas em poucas horas". E como o brasileiro não tem o costume de investigar o background dos profissionais que contrata (muitas vezes focando apenas no valor), acaba selecionando e pedindo ajuda para uma pessoa que não consegue sequer implementar mudanças em sua própria vida, imagina na de seus coachees (cliente que participa do processo de coaching).

Eu então, oficialmente falando, defendo veemente o Coaching em todas suas formas (sou inclusive membro das comissões de Coaching Jurídico das OABs de São Paulo e de Carapicuíba) desde que sejam operados e ensinados por profissionais capacitados, estudados e com experiência comprovada de resultados.

Veja bem, ensinar e/ou conduzir um processo de coaching não é uma coisa simples e deveria necessariamente passar por 3 pontos: estudo, experiência anterior e técnica própria desenvolvida. Se você quer encontrar e contratar um profissional adequado (seja um coach ou de qualquer outro segmento), investigue a carreira do mesmo e faça a prova dos 3 antes de qualquer aproximação.

Concluímos, portanto, que não é o Coaching que deve ser punido e sim o aproveitador mal-intencionado e despreparado, que vê nos menos investigativos uma chance de ganhar dinheiro fácil sem muito esforço. E esse "profissional" (sempre com aspas) é o que menos queremos como guia mestra em qualquer que seja nosso problema.

Apenas finalizando os fatos atuais: nosso amigo William Menezes está com sua proposta registrada na plataforma de participação popular do Senado e, caso alcance 20 mil apoios, será encaminhada para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa onde os senadores decidirão se a ideia vai para a frente ou não. Vamos aguardar os próximos capítulos.

Espero ter ajudado.

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Bom crescimento!

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Alexandre Motta

Alexandre Motta é consultor e sócio diretor do Grupo Inrise. Com formação e pós-graduação em marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atuou durante cinco anos em escritório jurídico como responsável pela área de desenvolvimento de negócios e comunicação com clientes. É palestrante oficializado pela OAB (tendo recebido inclusive a Medalha do Mérito Jurídico), escreve artigos de relevância para o mercado atual e é autor dos livros "Marketing Jurídico – Os Dois Lados da Moeda" e "O Guia Definitivo do Marketing Jurídico". Apresenta também o programa de entrevistas Conversa Legal, focado na interatividade dos profissionais do setor jurídico. Desde 2002 mantém, através de sua consultoria, uma clientela de inúmeros escritórios jurídicos sob sua responsabilidade de atuação e crescimento em marketing ético.