A amiga Gabriella Leal comenta:

"Estamos (grupo de advogados) com um protejo de abrimos um escritório virtual, em um primeiro momento funcionaria pelas redes sociais. Estamos com algumas dificuldades de sistematização do protejo e de conseguir tirá-lo do papel. Gostaria de saber quais dicas e conselhos poderia nos oferecer, bem como dimensionar o quão o marketing jurídico estará atrelado a esse protejo".

Gabriella, obrigado pela pergunta. O ideal seria eu conhecer quais são as dificuldades enfrentadas na operação do projeto, mas é importante entender que tudo no marketing passa pela visão do mercado, invariavelmente. Então, mesmo sem entender o âmbito completo do seu cenário atual, vou arriscar um posicionamento.

Veja que "criar um escritório virtual que funcionaria pelas redes sociais" é teoricamente interessante do ponto de vista prático para os advogados envolvidos, mas e quanto ao ponto de vista do mercado que vocês querem atingir? Se partirmos da premissa que o que faz o público alvo buscar um advogado é a confiança que se tem na pessoa (e diversos estudos já comprovaram isso), qual seria a confiança que teríamos ao nos deparar com a falta da presença física dos profissionais que nos inspiram o devido sentimento?

Posto isso, é importante entender que o advogado é como um médico, que queremos ver e conversar, pois queremos ter certeza que é aquela pessoa que resolverá nosso problema. Você iria querer se consultar sobre um problema sério para você, só com um médico das redes sociais?

Com a saturação do mercado com os profissionais do setor jurídico, o público hoje tem a sua disposição diversas opções de contratação de advogados, do mais simples ao mais complexo, do mais caro ao mais barato e assim por diante. Então se eu tenho toda essa gama de opções, porque eu optaria por aquele que não consigo me aproximar fisicamente?

Funcionalmente, também estranho um pouco o projeto, tendo em vista que, se o advogado não pode responder consultas via internet (artigo 42 do Código de Ética), qual seria a atuação efetiva do escritório nas redes sociais?

Se mesmo com esses alertas a ideia é seguir com o projeto, tento ajudar também, respondendo a pergunta quanto a "dimensionar o quão o marketing jurídico estará atrelado a esse protejo". Dentro do que imagino ser este escritório virtual com operação nas redes sociais, acredito que os itens iniciais a serem operacionalizados sejam:

Regularizar a abertura do escritório junto a OAB;

Escolher o nome da banca (sempre nome ou sobrenome dos sócios);

De preferência, criar seu logotipo diferenciado;

Fazer a criação do perfil do escritório nas principais redes sociais (Facebook, Linkedin, Instagram e Youtube);

Mapear seu público alvo (quem são e como trabalharemos para eles);

Iniciar postagens diárias com conteúdos informativos diversos e focados ao público mapeado;

Ter canal aberto de contato com seu público (um e-mail que seja respondido, independente do volume de contatos, em menos de 24 horas).

Sem conhecer maiores detalhes sobre o projeto, acredito que estas são as primeiras medidas a serem operacionalizadas nessa empreitada.

Boa sorte!

Confira toda sexta-feira a coluna "Marketing Jurídico" e envie suas dúvidas sobre marketing jurídico, gestão de escritórios, cotidiano dos advogados empreendedores ou dúvidas gerais sobre o dia a dia jurídico por e-mail (com o título Coluna Marketing Jurídico) que terei um grande prazer em ajudar.

Bom crescimento!

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Alexandre Motta

Alexandre Motta é consultor e sócio diretor do Grupo Inrise. Com formação e pós-graduação em marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atuou durante cinco anos em escritório jurídico como responsável pela área de desenvolvimento de negócios e comunicação com clientes. É palestrante oficializado pela OAB (tendo recebido inclusive a Medalha do Mérito Jurídico), escreve artigos de relevância para o mercado atual e é autor dos livros "Marketing Jurídico – Os Dois Lados da Moeda" e "O Guia Definitivo do Marketing Jurídico". Apresenta também o programa de entrevistas Conversa Legal, focado na interatividade dos profissionais do setor jurídico. Desde 2002 mantém, através de sua consultoria, uma clientela de inúmeros escritórios jurídicos sob sua responsabilidade de atuação e crescimento em marketing ético.