O amigo Chalisse comenta:

"Estive em uma palestra sua que você fala que não devemos falar o juridiques com o mercado. Fiquei com vergonha de perguntar no dia mas queria algumas dicas de como implementar isso na prática".

Chalisse, obrigado pelo comentário. Não precisava ter ficado com vergonha. Poderíamos ter aberto o debate sobre essa situação na palestra mesmo. Na próxima não se acanhe, ok? Mas vamos lá. Sim, eu sempre defendo que o advogado deve falar da maneira que o mercado entenda. Tentar impressionar o mercado com uma linguagem rebuscada faz com que o leigo se sinta excluído e aquela proximidade que o marketing quer trazer entre advogado, cliente e possível cliente, se quebra.

Pense em você indo ao médico e ele te dando o resultado dos seus exames:

- Você está com dispepsia.

- Ai meu Deus, vou morrer?

- Não, isso é só má digestão.

- E por que não disse logo? Está querendo ganhar dinheiro com meu ataque cardíaco também?

É mais ou menos por aí que as pessoas se sentem ao escutar o advogado falar o famigerado juridiquês.

Seguem, portanto, algumas dicas para não se afastar do mercado por este motivo.

Entenda: converse bastante com seu público alvo para entender como eles se comunicam. Se seu público alvo são pessoas físicas, de mais ou menos idade, a comunicação se altera. Do mesmo jeito, se seu público alvo são empresários, as diversas áreas de atuação fazem com que as linguagens se alterem. É, portanto, vital entender como um jovem se comunica, com um idoso se comunica, como um dono de um bar se comunica e como um empresário do setor de hotelaria se comunica. Isso apenas a título de exemplos. O importante é estar a par de como seu público alvo transmite e recebe informações linguísticas.

Crie uma tabela de andamentos: se você informa seu cliente de como estão os andamentos processuais (e deveria informar constantemente), não deveria fazê-lo em um formato que ninguém entende. Isso, aliás, é uma das grandes reclamações do mercado com relação ao advogado. Crie, portanto, uma tabela dos principais andamentos que acontecem com seu cliente e, seja através do site, seja através do relatório escrito, apenas apresente este tipo de linguagem ao mesmo. Não é um dicionário jurídico, mas sim transformar uma frase complicada em uma frase mais fácil de ser compreendida pelo público leitor. Um exemplo: sai um andamento do tribunal que diz "Especifiquem as partes as provas que pretendem produzir". Ao invés de colocar isso no andamento que o cliente lerá, você coloca: "O Juíz quer saber as provas que os envolvidos querem mostrar para dar seguimento a ação. Embora os documentos estejam junto com o processo e são consideradas provas efetivas, é de costume do juiz intimar as partes para especificarem outros tipos de provas que pretendem produzir". Bem mais fácil para seu cliente, não?

Leia: se inteire de artigos de outros advogados que conseguem se expor corretamente ao mesmo tipo de público alvo que você quer. Analise o tipo de linguagem usada por eles e comece a duplicar em suas próprias escritas. Se ele conseguiu abordar da maneira correta e é entendido facilmente, essa análise de concorrência será benéfica nesse novo patamar que você quer atingir.

Por fim, quando der aquela vontade de falar pomposamente, aproveite quando estiver com outros colegas e mate toda a vontade de falar o juridiquês. A Língua Portuguesa, se escrita da maneira correta (sempre bom ressaltar isso) é linda de qualquer maneira, seja em formato rebuscado, simples, intelectual, moderno, coloquial ou formal. É só saber se expressar para quem está ouvindo.

E para exemplificar essa beleza, deixo vocês com um texto que encontrei na internet.

A língua portuguesa é o único idioma em que se pode escrever um texto só com a letra "P".

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.

Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… "Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses".

Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes. - "Paris! Paris!" Proferiu Pedro Paulo. -"Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir".

Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: -Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? -Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.

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Bom crescimento!

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Alexandre Motta

Alexandre Motta, é consultor e sócio diretor do Grupo Inrise. Com formação e pós-graduação em marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atuou durante cinco anos em escritório jurídico como responsável pela área de desenvolvimento de negócios e comunicação com clientes. É palestrante oficializado pela OAB (tendo recebido inclusive a Medalha do Mérito Jurídico), escreve artigos de relevância para o mercado atual e é autor dos livros "Marketing Jurídico – Os Dois Lados da Moeda" e "O Guia Definitivo do Marketing Jurídico". Apresenta também o programa de entrevistas Conversa Legal, focado na interatividade dos profissionais do setor jurídico. Desde 2002 mantém, através de sua consultoria, uma clientela de inúmeros escritórios jurídicos sob sua responsabilidade de atuação e crescimento em marketing ético.