Nota baixa para a Justiça reflete desconhecimento sobre o Poder Judiciário

Sebastião Luiz Amorim*

Henrique Nelson Calandra**

A pesquisa feita pelo IPEA, sob a ótica do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), para mostrar como a população avalia os serviços de utilidade pública e seu grau de importância para a sociedade, demonstra o desconhecimento do público para com o Poder Judiciário, uma vez que avaliou a Justiça Brasileira de forma distorcida da realidade.

Ao conceder nota de 4,55 para a Justiça, numa escala de zero a 10, evidentemente, os entrevistados não levaram em consideração as enormes dificuldades do Poder que é procurado por toda a população como entidade que representa a salvaguarda do direito do cidadão e das suas necessidades de fome e sede de Justiça.

Não consideraram a precariedade dos meios materiais fornecidos ao Judiciário e não ponderaram que, entre os demais poderes, é o que ocasiona atitudes de honestidade e ótimo grau de zelo no exercício da obrigação de julgar.

É preciso que se esclareça que a nossa Justiça padece de falta de meios materiais e humanos para desempenhar de forma positiva a sua missão, levando o magistrado a situações de extrema dificuldade e, mesmo assim, sua atuação ultrapassa parâmetros de dedicação à causa pública, levando o seu trabalho diário, até mesmo à exaustão.

Seus integrantes revelam grande poder de decisão, vencendo o número incomensurável de processos com o emprego de uma força de vontade digna de elogios.

Quanto ao padrão de honestidade e imparcialidade, supera em muito o que acontece nos demais poderes.

Evidentemente, não se pode ter como correta a avaliação levada a efeito, conforme retrata o SIPS e a nota que foi atribuída, se forem consideradas as condições de trabalho a que são submetidos os membros do Judiciário, eis que revela um desconhecimento da realidade vivida pela Magistratura por parte dos 2.770 brasileiros ouvidos em todos os Estados do país. Porém, a pesquisa demonstra que se deve dar aos juízes, e demais elementos que compõem a Justiça brasileira, melhores condições de trabalho e uma atenção muito maior para o desempenho da nobre função de julgar, para que se dê ao jurisdicionado a possibilidade de aplicar a Justiça que cada cidadão merece, dentro do contexto de uma nação que pretende ser um exemplo para o mundo civilizado.

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*Desembargador aposentado do TJ/SP

**Desembargador do TJ/SP





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