Depois que nós, povo heróico, ouvimos o grito, muita coisa aconteceu.

O sol da liberdade brilhou por alguns anos, depois se apagou por outros tantos, depois renasceu e afinal conquistamos igualdades sem, no entanto, livrarmo-nos de diferenças históricas, sociais, culturais e econômicas, tatuadas em nossa pele desde a época das caravelas.

Hoje temos um país de sonhos e pesadelos, amor e ódio, esperança e desespero e, embalados em nosso berço indiscutivelmente esplêndido – com vista para o mar e campos floridos ao fundo – somos sonolentos por isso mesmo.

Dá uma preguiça de sair por aí empunhando uma bandeira e exigindo aquilo que já deveríamos ter há tanto tempo. Mas quando chega a Copa, juramos amor eterno e, ficamos esperando alguma glória, embora já bem ressabiados.

Estamos vendo que a Justiça não se ergue mais. Quem se mete em uma luta, por mais legítima que seja, pode acabar machucado, definhando num corredor sujo de hospital fantasma. Cada vez mais mal educado e inculto, o povo vai ficando longe do significado do seu hino, recheado de palavras lindas, mas, irreais como sua própria história.

Hoje em dia, quem lhe ama está sim temendo a própria morte, seja de desamparada velhice, de tiro, de falta de médicos ou de sede.

Ó, pátria amada, gigante, linda e jovem! Tenha pena de seus filhos e comece a ser gentil com eles! Afinal, nem que quisessem eles conseguiriam fugir por conta da fila nos aeroportos...

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* Luciana Gualda é Diretora Executiva Jurídica da Aché Laboratórios Farmacêuticos S/A e membro do Jurídico de Saias.

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