Quem convive em condomínio, sabe que todas as decisões importantes precisam de assembleia geral: eleição de síndico, aprovação de contas, obras, benfeitorias, fundo de reserva. Tudo, absolutamente tudo, passa pela assembleia. Embora todos saibam que ir a essas reuniões é muito importante, quase ninguém participa delas. Em média, a cada cinco proprietários, só um comparece. Eu mesmo fui a uma única reunião em 2014. Os locatários então, esses nem se preocupam, afinal o imóvel não é deles mesmo.

Acontece que as decisões de assembleia têm impacto sobre o bolso de cada um de nós e 2015 promete ser um ano complicado. Sendo assim, lá fui eu para a primeira das reuniões de condomínio de 2015. Tudo estava muito bem organizado: a pauta era curta, foi fornecido material explicativo e havia até recursos audiovisuais para otimizar a apresentação.

Mas a verdade é que eu, “vou falar por mim”, queria mesmo era saber quanto a taxa de condomínio aumentaria. Iniciada a reunião, demonstrada a previsão orçamentária, feitas algumas sugestões de obras e benfeitorias, concluiu-se pela a necessidade do aumento de 20% da taxa condominial. Na conta dos administradores, só havia uma alternativa: era o aumento ou a quebra do condomínio ainda no início de um ano que está apenas no seu primeiro trimestre.

Pedi a palavra e propus o contrário, falei que tínhamos como abaixar o valor da taxa condominial, o que causou surpresa. Expliquei que se o condomínio fizesse a captação de águas de chuva, água própria para a limpeza de algumas áreas comuns do condomínio, poderíamos reduzir a nossa conta de água em até trinta por cento, o que seria uma maravilha. Indiquei a empresa que me garantiu tal economia, passei os contatos para os responsáveis e tudo mais. Um dos vizinhos me apoiou e falou em consciência, que a água do Planeta estava acabando e que só por isso já se bastava a economia. Para causar mais impacto, falei que em São Paulo já estavam cobrando a sobretaxa de 100% na tarifa de água da Sabesp e que isso poderia acontecer em Belo Horizonte ainda neste ano, o que aumentaria ainda mais a nossa conta de água.

Infelizmente pouca gente prestou atenção no meu discurso, talvez porque a captação de águas de chuvas demandasse algum investimento. Finalizada a reunião, o aumento da taxa de condomínio foi aprovado. Nada mais se falou. Já passava das 22h e todos tinham que voltar para casa, seja para assistir ao seu futebol, seja para cuidar dos afazeres domésticos ou para tomar aquele banho relaxante de vinte, trinta minutinhos, afinal já era hora de descansar. A economia na conta de água, a economia de um recurso essencial para o planeta ficou para depois, para quem sabe na próxima reunião de condomínio.

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*Leandro Eustáquio é coordenador do departamento de Direito Ambiental do escritório Décio Freire e Associados. Mestre em Direito Público pela PUC/MG e professor de Direito Ambiental.