Se por um lado o atual cenário de crise econômica do país preocupa, por outro pode representar uma era de novas oportunidades de negócios.

É fato que os escândalos envolvendo a corrupção no Brasil causam vergonha e repúdio, mas têm causado também outro efeito que merece ser observado.

Trata-se de um movimento de venda de ativos, especialmente por empresas que tinham como seus maiores clientes as empresas envolvidas nos escândalos, pois, por consequência, aquelas também sofrem o impacto negativo em suas atividades causado pelos escândalos envolvendo suas clientes.

A falta de dinheiro em caixa e de capital de giro para pagar seus fornecedores, em meio à alta das taxas de juros e às dificuldades impostas para a tomada de crédito no mercado, tem feito com que as empresas busquem soluções alternativas, que vão desde a admissão de um novo sócio investidor até a venda do controle acionário da empresa.

Por outro lado, para quem compra, entre as vantagens identificadas muitas vezes está a oportunidade de aquisição de determinada participação acionária ou de ativos a preços muito abaixo daqueles normalmente praticados, o que, para muitos, pode representar o ingresso em determinado mercado ou segmento com "passaporte" muito mais barato.

Nesse sentido, percebe-se nos últimos meses um aumento significativo nas transações envolvendo a compra e a venda de empresas, movimento esse que, de acordo com as estimativas, deve se estender até 2016. Investidores, nacionais e estrangeiros, estão atentos às novas oportunidades de negócios no Brasil.

Diante desse cenário de crise econômica e financeira, e ao mesmo tempo promissor para as transações de Mergers and acquisitions - M&A, é muito importante que as empresas alvo dessas operações estejam também preparadas para aproveitar eventual oportunidade de negócio.

Para tanto, é necessário adotar algumas práticas para melhor conhecer o valor de seu próprio negócio. A realização de trabalhos de due diligence preventiva e valuation da empresa são algumas dessas práticas.

Outras medidas que podem ser adotadas no mesmo sentido dizem respeito à estrutura societária da empresa. A previsão de regras claras de sucessão e de governança corporativa em seus documentos societários, por exemplo, tornam a empresa muito mais atraente ao mercado quando comparada a outras empresas sem previsões nesse sentido ou com questões mal resolvidas entre seus sócios e/ou seus herdeiros.

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*Renata Freire de Almeida, sócia da Divisão de Consultoria Societária do escritório Braga & Moreno Consultores e Advogados.

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