Eclesiastes, 3:2

Ao perguntarmos para a população em geral e particularmente para os políticos quais devem ser as três maiores prioridades de um governo, a resposta é quase unânime: Saúde, Educação e Segurança. Pode variar a percepção de qual desses eixos deve ter a maior prioridade, mas a presença dos três é constante.

Diante disso, foquemos Educação e Segurança.

Apesar dos vários programas educacionais postos em prática nos últimos anos, a educação no Brasil tem deixado muito a desejar se analisarmos os dados obtidos junto à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Periodicamente a OCDE faz em vários países uma avaliação por amostragem, a fim de verificar, dentre outros índices, o nível educacional das crianças, jovens e adultos.

Conforme publicado pela Veja1, de trinta e seis países analisados, o Brasil ocupou a penúltima posição no ranking mais recente.

Paralelamente a isso, constatou-se que o Brasil é um dos países que menos investem no ensino fundamental e médio (os antigos primário, ginásio e colegial), mas muito gasta com o ensino superior.

Avaliações feitas em anos anteriores, também pela OCDE, já apontavam essa defasagem no aprendizado de nossas crianças e jovens e, para combater essa situação, o governo federal resolveu aumentar seu investimento naquelas escolas que possuem o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mais baixo. Para tanto, foi criado o Programa Mais Educação.

Por meio desse Programa, é oferecida aos alunos a possibilidade de se ter no contra-turno um reforço pedagógico em Língua Portuguesa e Matemática, assim como aulas complementares de música, artes e dança, dentre outras atividades.

Como era de se esperar, as escolas que entraram nesse Programa acabaram por ter uma significativa melhora em seus índices. O curioso, porém, é que justamente por isto esse Programa não mais será a elas oferecido neste ano de 2018, uma vez que o Mais Educação passou por um ajuste em suas regras e agora intitula-se Novo Mais Educação. Segundo essas novas regras somente serão atendidas as escolas que estiverem abaixo de um determinado IDEB.

Uma reportagem veiculada pelo portal G1 de Santa Catarina2 afirma que nesse estado da Federação eram atendidas em 2017, pelo Mais Educação, 808 escolas públicas. Agora, em 2018, pelo Novo Mais Educação, esse número passou para 84.

Certamente na raiz dessa decisão governamental está uma racionalização dos gastos públicos, mas fica a pergunta: os avanços obtidos não devem ser reforçados ainda mais? O mérito de alunos e professores não deve ser valorizado?

Mudemos agora o cenário. Pensemos no caso da segurança do Rio de Janeiro.

A recente intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro tem por objetivo aprimorar, com o auxílio das Forças Armadas, os sistemas de segurança legalmente a cargo das polícias estaduais.

O que chama a atenção neste caso é que se estuda uma não contingência de gastos federais para uma maior eficiência das operações.

Trata-se, é claro, de uma ação urgente e de extrema importância, mas devemos perguntar: se há alguns anos tivesse ocorrido um maciço, eficiente e contínuo investimento em Educação, tirando das ruas as crianças em estado de fragilidade social, não teríamos hoje um Rio de Janeiro mais seguro, um Brasil mais seguro?

É notório que ações preventivas reduzem drasticamente os custos, seja em Saúde, em Segurança ou na organização de empresas.

E uma ação preventiva fundamental para melhorarmos nas próximas décadas a segurança em nosso País está, sem dúvida alguma, ligada à Educação.

Como nos alerta há muitos e muitos séculos o famoso livro atribuído a Salomão, colheremos no futuro o que plantarmos hoje.

____________

1 Em ranking da educação com 36 países, Brasil fica em penúltimo

2 Critério muda e escolas de SC atendidas pelo 'Mais Educação' diminuem de 808 para 84

____________

*Allan Fernandes Chaves é CEO - Diretor Executivo na Chaves Advocacia.