Palavra forte normalmente associada ao amor entre duas pessoas, mas... a paixão está presente no futebol, na política, na religião e até na arte.

Paixão impele o mundo, mas é mais adequada se restrita ao amor, porque o amor não tem limites e eleva o espírito, por ser um sentimento superlativo de outro, enquanto que a paixão por opiniões e opções pode manifestar radicalismo e falta de interesse em respeitar ou considerar o próximo. Paixão  é o reflexo do que se vê na polarização das discussões de hoje, no campo político, religioso, no meio acadêmico e até em nossos Tribunais.

A paixão acende, ilumina, esquenta, movimenta, dispara, como diz Ortega e Gasset, desperta e desfecha um amor. Mas há importante diferença: uma vez desperto e nascido, o amor consiste em emitir constantemente uma atmosfera favorável, como uma luz leal e benévola em que envolvemos o ser amado - de modo que todas as outras qualidades e perfeições que nele haja poderão revelar-se, manifestar-se e nós as reconheceremos.

Assim, paixão deveria ser assunto do amor, enquanto a opinião, da razão. Em outras palavras, o amor sempre tem razão.

Nesse passo, a razão e o amor prevalecem. A pátria amada... que bom esse sentimento que une, cuida, zela, ao qual a paixão se curva e se proporciona. É o sentimento que deve prevalecer sobre a paixão no que concerne ao interesse nacional, especialmente em nossos Tribunais.

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*Eduardo Dietrich e Trigueiros é advogado do escritório Dietrich & Trigueiros Advocacia e Consultoria.

*Renata Riecken é psicóloga e coach.

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