O mercado segurador há muito tempo vem se atualizando e modernizando, sempre na busca por abarcar os mais diversos tipos de riscos, dentre eles os mais comuns como o chamado “seguro de massa”, assim conhecido em razão da semelhança dos riscos e do volume de contratação, bem como os denominados grandes riscos.

Os seguros de grandes riscos são mais complexos, não só pela matéria ali tratada, mas principalmente pelo valor financeiro que está envolvido caso ocorra um sinistro.

Deste modo, quando da contratação do seguro em questão é muito importante a correta avaliação do risco, que deve ser realizada pelo profissional do seguro de forma minuciosa, se valendo de todos os aspectos do contratante. A análise deve ser feita focada não só na sua estrutura física, mas, principalmente, na saúde financeira para que, em caso de ocorrência de sinistro, todos os prejuízos possam estar abarcados pela apólice de seguros.

Devem ser levadas em consideração não só as coberturas básicas, como por exemplo, a de incêndio, mas também aquelas coberturas específicas para o ramo de atividade do contratante. Isso para que sejam minorados os prejuízos, tendo em vista o real alcance dos possíveis riscos que venham a ocorrer naquele ambiente. Portanto, o gerenciamento do risco é medida fundamental para que o contrato seja capaz de atender essa modalidade de seguro.

O ideal é que se tenha apólices de seguros individualizadas para cada empresa contratante, fazendo com que cada vez mais as Seguradoras que atuam nessa área se especializem em determinados riscos, oferecendo um contrato capaz de suprir e assegurar riscos individualizados prestando assim um serviço de qualidade.

No entanto, quando se trata de uma contratante de altíssimo porte, onde nem sempre é possível a identificação dos riscos que ali podem ocorrer, pode o contratante optar pelo denominado Seguro de Riscos Operacionais, que abrange todos os riscos, ou “All Risks”, onde são estipulados as cláusulas excludentes de cobertura, fazendo com que todo o resto esteja assegurado pelo contrato. Muito comum ainda os seguros de Risco de Engenharia, de Multiriscos, ou riscos diversos, de Cascos Marítimos, de Lucros Cessantes, Seguro Garantia, dentre outros.

Marcio Coriolano, presidente da CNseg, durante a coletiva de imprensa realizada na sede da confederação das seguradoras no Rio de Janeiro ressaltou que as empresas estrangeiras aumentaram suas apostas no setor segurador, avançando em ramos elementares, passando de 4 6% para 48% considerando as seguradoras ligadas a bancos e de 29% para 36,7% no nicho de sociedades vinculadas a instituições estrangeiras. “Isso foi fruto da aquisição de carteiras de grandes riscos de bancos, como da Bradesco pela Swiss Re, ou da Itaú pela Chubb”, citou.1

Ainda de acordo com Marcio Coriolano, 2019 vai ser um ano desafiador, mesmo com as previsões otimistas.  “Seja qual for a política que o novo governo implementar, todos os segmentos de seguros serão contemplados, pois o setor faz parte da resiliência das economias em qualquer país do mundo, seja para apoiar a saúde da população, administrar a renda para a aposentadoria, bem como mitigar riscos dos projetos de infraestrutura tão necessários para o crescimento do Brasil”.

Antonio Trindade da Chubb Seguradora, afirma também que segundo o Fundo Monetário Internacional, o Brasil possui a 9ª maior economia do mundo, porém, ocupa a 73ª posição no ranking de qualidade de infraestrutura, conforme o Fórum Econômico Mundial. “Por isso, é razoável supor que um eventual crescimento na economia vai necessariamente contemplar investimentos em infraestrutura, em função da carência do setor. Caso isso de fato aconteça, haverá impacto direto no mercado de seguros, sobretudo nos segmentos de Riscos de Engenharia e Garantia”.2

Desta forma, o mercado segurador deve estar sempre preocupado no desenvolvimento de técnicas para angariar o publico alvo, investindo em divulgação do produto, na realização de eventos técnicos, e até mesmo em tecnologia, tudo no intuito de orientar corretamente os clientes, aperfeiçoar a análise para mitigar os riscos possíveis, bem como estar preparado para o crescimento esperado para o ano de 2019.

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1 Mercado segurador pode crescer 8,4% num cenário positivo em 2019, segundo CNseg

2 O que esperar para 2019

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t*Maria Carolina Balestra é sócia da Jacó Coelho Advogados.

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