O home office é uma prática que vem crescendo e está sendo adotada por muitas empresas como possibilidade de trabalho. A prática é adotada pelo TST há dois anos; funcionários trabalham em casa e comparecem à Corte para reuniões. O presidente do TJ/SP, José Renato Nalini, também quer implantar o home office no tribunal.

Para Mariana Horno, gerente sênior das divisões de Legal e RH da Robert Half, essa política é cada vez mais utilizada e incentivada pelas empresas, pois proporciona qualidade de vida no trabalho e é bastante motivacional.

Em grande parte dos escritórios de advocacia, o home office não é uma prática institucionalizada, entretanto, existe flexibilidade para que o causídico opte por desenvolver parte do trabalho em casa e parte no escritório. Para o advogado Fernando Teixeira Abdala (Abdala, Castilho & Fernandes Advogados Associados), essa flexibilidade é essencial. "Alguns advogados moram longe do escritório, tem problemas no trânsito, então essa autonomia de poder trabalhar parte do tempo em casa é importante." Contudo, ele observa que existem algumas tarefas que exigem a presença no escritório, "como despachar e casos importantes que precisam ser discutidos em conjunto".

De acordo com Mariana, o ambiente em empresa proporciona o incentivo ao trabalho em equipe e a troca de informações. "No entanto, o gestor habilidoso proporciona naturalmente a troca e engajamento do time, de forma que essas vantagens podem ocorrer também e de forma natural, caso a política de home office seja implementada, desde que haja estratégia prévia e organização na companhia".

O ganho de tempo é um dos fatores que mais positivam o trabalho home office. O advogado Renato de Mello Almada (Almeida Alvarenga e Advogados Associados) comenta que essa prática não é oficial no escritório, mas que está em pauta para discussão. "Ontem levei 2h20 no trânsito para percorrer poucos quilômetros, hoje em dia perdemos muito tempo nos deslocando". Para ele, o trabalho em casa também pode gerar outros ganhos como: eficiência, alta produtividade e rapidez.

Muitos escritórios que ainda não adotaram o home office objetivam implementá-lo. De acordo com o advogado William Moreira Filgueiras (Advocacia Portugal Gouvêa), a prática vem sendo discutida no escritório. "O home office ainda é uma conversa embrionária, mas com certeza apresenta aspectos bastante positivos como flexibilidade para trabalhar com o tempo, trabalhar em um ambiente mais tranquilo, sem que o telefone toque a todo momento, e isso pode aumentar a produtividade".

O que se observa é que o home office é uma possibilidade que aos poucos adentra o mundo do Direito, mas que devidos às especificidades da profissão, deve ser implementada com cautela. Para o advogado Rodrigo Orlandini (Albino Advogados Associados), existem casos que são importantes que sejam discutidos com outros colegas, "muitas vezes envolvem outras áreas que não somente a da sua atuação e por isso, estar no escritório neste aspecto, por exemplo, é importante". Mariana comenta que a comunicação e a integração com os demais profissionais trazem ganhos imensuráveis para o ambiente de trabalho. "Quantas ideias e soluções de problemas acontecem durante uma simples conversa pelo aumento de potencial de duas pessoas trocando conhecimentos?".

Em outras ocasiões, contudo, Orlandini acredita que trabalhar em casa pode ser bastante proveitoso. "Para elaboração de petições, por exemplo, se eu trabalho de casa minha concentração é bem maior, por conta da tranquilidade, do silêncio". Para o causídico, o importante é que o trabalho seja bem feito, de casa, ou do escritório. "O advogado não precisa estar visível para saber que ele está desenvolvendo seu trabalho. O importante é que esse trabalho seja bem feito, que atenda às necessidades do cliente".

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