Começa nesta quinta-feira, 24, o Festival Internacional de Literatura de São Paulo, Pauliceia Literária 2015, com o objetivo de promover um debate sobre literatura e temas que se relacionam com ela, bem como fomentá-la por meio de mesas literárias e grupos de leitura.

Criado em 2013, o evento bienal acontece no auditório da AASP (Rua Álvares Penteado, 151 - Centro), e, segundo os organizadores, consistente em um espaço importante para debates e troca de ideias. Neste sentido, o jornalista e curador do Pauliceia Literária 2015 Manuel da Costa Pinto, destaca que "não apenas os advogados devem participar do Pauliceia, mas sim toda a sociedade".

"Vale lembrar a importância que a classe advocatícia teve para o desenvolvimento da literatura brasileira. Não por acaso, o Brasil tem - dos poetas românticos a Guimarães Rosa e Lygia Fagundes Telles - uma fortíssima tradição de escritores advogados."

Ainda segundo o jornalista Adriano Schwartz, que participará do evento, "a iniciativa, apesar de inusitada, por ter partido de uma Associação de Advogados, é bastante interessante. Afinal é sempre bom discutir literatura; além disso, o Pauliceia Literária é abrangente, com temas atuais e relevantes".

"Há algum tempo a literatura nacional atravessa uma espécie de crise e, ao mesmo tempo, talvez por causa dessa crise, de vez em quando surgem coisas muito importantes, boas e diferentes. O estado de crise pode ser bom no final das contas. Hoje, a literatura disputa espaço com muitas coisas e acaba sendo, para muita gente, totalmente irrelevante."

O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, que também estará presente da edição deste ano, falou sobre sua obra "Quase memória", que marcou seu retorno à ficção, depois de mais de 20 anos afastado da literatura, rendendo-lhe em 1996 os prêmios Jabuti de Melhor Romance e Livro do Ano pela Câmara Brasileira do Livro.

Fazendo um comparativo com o livro "Carta ao pai", do escritor Franz Kafka, Cony destaca que se inspirou em sua vida e obra, na qual o personagem culpa o pai pela vida que lhe deu. "Ele tinha desprezo pela figura paterna, e esse fato sempre me impressionou, pois ele o responsabiliza por todos os acontecimentos negativos da sua vida. Era uma forma de se perdoar."

"No meu livro, eu também retrato o desprezo que tinha pelo meu pai. Em diversos momentos, falo como ele era de verdade; o livro pode ser interpretado tanto para o bem quanto para o mal. Até certo ponto eu apreciava o que meu pai fazia, mas não gostava da maneira como ele vivia. Na realidade, meu livro não é 'um hino de louvor ao pai', mas sim a história de um filho que não tinha condições para condená-lo, então o perdoava."

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