O escritor brasileiro Lima Barreto será homenageado na 15ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre 26 e 30 de julho de 2017.

Cada edição da Flip presta homenagem a um autor brasileiro – "uma maneira de preservar, perpetuar, difundir e valorizar a língua portuguesa e a literatura do Brasil". Uma das curadoras do evento, Joselia Aguiar confessou recentemente que defendeu bravamente o autor, seu preferido. "Há sempre uma vontade da Flip de surpreender; desta vez o entendimento foi que a surpresa seria confirmá-lo."

História

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881, filho do tipógrafo da Imprensa Nacional João Henriques e da professora Amália Augusta, ambos mulatos. A mãe, escrava liberta, morreu precocemente, quando o filho tinha seis anos de idade. Embora tenha vivido boa parte de sua vida após o fim da escravidão – a abolição ocorreu em 1888, no dia de seu aniversário de sete anos –, as marcas por ela deixada, especialmente o preconceito racial e a difícil inserção de negros e mulatos na sociedade brasileira, nunca deixaram de ocupar o centro de sua obra literária.

Teve como padrinho o Visconde de Ouro Preto, senador do Império, a quem deveu os estudos secundários e os primeiros anos na Escola Politécnica.

Principais obras

Em 1900, o escritor deu início aos registros do Diário íntimo, com impressões sobre a cidade e a vida urbana do Rio de Janeiro. Sua colaboração regular na imprensa começa em 1905, com as reportagens para o Correio da Manhã sobre a demolição do Morro do Castelo, no centro do Rio, apontadas por alguns críticos como um dos marcos inaugurais do jornalismo literário brasileiro.

Na mesma época, começa a escrever a primeira versão de Clara dos Anjos, livro que seria publicado apenas postumamente, e elabora os prefácios de dois romances: Recordações do escrivão Isaías Caminha e Vida e morte de M. J.Gonzaga de Sá (que será publicado mais tarde).

Recordações do escrivão Isaías Caminha sai em folhetim na nascente revista Floreal, em 1907, e em livro em 1909. No romance, o jornal Correio da Manhã e seu diretor de redação são retratados de maneira impiedosa, e Lima Barreto "tem então seu nome proscrito na grande imprensa carioca", conforme informações de seu atual editor. O escritor passa a trabalhar e publicar crônicas, contos e peças satíricas em veículos como O Diabo, Careta, Brás Cubas, O Malho e Correio da Noite. Colaborou também com o ABC, periódico de orientação marxista e revolucionária.

Em 1911, escreve e publica Triste fim de Policarpo Quaresma em folhetim do Jornal do Comércio. Publicou ainda Numa e ninfa (1915), Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919), Histórias e sonhos (1920). Postumamente saem Os bruzundangas e as crônicas de Bagatelas e Feiras e mafuás.

Recepção tardia - obra fala ao momento atual

Lima Barreto morreu no Rio de Janeiro, no dia 1o de novembro de 1922, aos 41 anos de idade. Pouquíssimo reconhecido em vida, a recepção a sua obra vem aumentando, na esteira das lições segundo as quais o decurso do tempo permite uma melhor interação entre autor, meio e leitor.

Ao brasileiro de hoje, há muito o que encontrar em Lima Barreto.

  • "Migalhas de Lima Barreto"

A edição dedicada ao autor conta com mais de 800 frases extraídas de suas obras. Por meio de seus romances e escritos jornalísticos, verdadeiras crônicas de costumes, é possível conhecer o Brasil do Segundo Reinado, do início da República, suas contradições e hipocrisias, além do refinado senso crítico do autor na exploração de temas e personagens que encantam até hoje.

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