Desde 2015, o Brasil atravessa uma crise econômica que tem deixado profissionais de diversos setores em alerta. E a advocacia, assim como as diversas áreas do mercado, também sofre com a recessão da economia.

Segundo o advogado Evandro Grili, do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, a crise não afeta os escritórios por causa da redução na demanda, mas, sim, no que se trata a questões contratuais. "O que a crise tem feito com os escritórios está muito mais ligado às negociações com os valores de contratos e honorários advocatícios, do que, propriamente, com escassez de novos casos."

Para Grili, no geral, a demanda tem crescido em algumas áreas, em especial, no Direito Tributário e no Direito Trabalhista, o que ocorre em virtude do aumento de discussões nestas áreas. "Historicamente, a advocacia brasileira sempre cresce em tempos de crise. Em tempos de crise aumentam as discussões de pessoas físicas e jurídicas com instituições financeiras, bancos que emprestaram dinheiro, etc."

De acordo com o advogado Eduardo Boccuzzi, do escritório Boccuzzi Advogados Associados, outras áreas, como a de contencioso e de reestruturação de empresas, também atravessam a crise de maneira positiva. Porém, para ele, há setores que, de fato, apresentam uma queda na procura.

"Com a crise econômica, vê-se uma redução nos investimentos. Isso se reflete diretamente na diminuição do trabalho, principalmente na área da advocacia empresarial."

Segundo Boccuzzi, os escritórios da área de Direito Empresarial têm usado manobras para contornar a crise, tais como "redução de pessoal, redução de espaço e postergação de investimentos". Entretanto, para ele, a diminuição do volume de trabalho pode significar que a crise é o momento para que os profissionais se reinventem.

"Há uma oportunidade para os advogados se reciclarem, fazerem cursos de especialização e buscarem conhecimentos em novas áreas para ampliar o leque de serviços prestados."

Grili também acredita que o momento de recessão é uma oportunidade de crescimento. Por isso, ele ressalta que os escritórios devem estar atentos ao mercado para manter a qualidade do trabalho em tempos de dificuldades econômicas.

"Ela (a crise) vai ser problema para a advocacia se ela não estiver preparada para atender a estes aumentos de demanda por serviços jurídicos. Mas se o escritório está bem estruturado, com uma boa equipe, com um bom nome no mercado, as oportunidades são enormes."

E as portas que se abrem para a busca de crescimento mesmo em tempos de crise também surgem durante eventos e discussões sobre temas atuais relacionados à advocacia. Por isso, entre os dias 27 e 30 de novembro, a XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira irá promover debates, palestras e apresentações sobre diversos assuntos. O evento é uma grande oportunidade de networking e busca por novos conhecimentos na área do Direito.

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