A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro prendeu, na manhã desta segunda-feira, 1º, o procurador do Estado Renan Saad.

A operação foi deflagrada após a delação premiada do ex-diretor de contratos da empreiteira Odebrecht Marcos Vidigal do Amaral. Saad teria recebido R$ 1,265 milhão em pagamentos relacionados ao metrô do Rio. O delator disse que o procurador recebeu R$ 300 mil de caixa 2 em troca de um parecer sobre a Linha 4.

Saad foi preso em casa, em São Conrado, Zona Sul do Rio.

A força-tarefa afirma que, somente da Odebrecht, o governo do RJ recebeu R$ 59,2 milhões em propinas relativas à expansão do metrô.

A Linha 4 do metrô liga a Zona Sul à Barra, na Zona Oeste, e foi entregue para os Jogos Olímpicos de 2016.

 

Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo em maio de 2017 dizia que o Ministério Público cobrava R$ 3 bilhões por fraudes na Linha 4 do Metrô.

t

Expansão e propina

De acordo com a investigação, o pagamento seria relacionado a mudança do traçado das obras do metrô do Rio. Os pareceres emitidos pelo procurador teriam sido fundamentais para a viabilização das obras do sistema metroviário. 

Os pagamentos foram operacionalizados por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, sistema usado pela empreiteira para repassar propinas a políticos.

Os repasses a Gordinho, como Saad era identificado no sistema, ocorreram entre 2010 e 2014, segundo aponta a força-tarefa. Um desses pagamentos, de R$ 100 mil, foi entregue no escritório de advocacia do procurador.

Outra investigação relacionada ao caso apura se mudanças na obra do metrô causaram prejuízos aos cofres públicos.

Paralisação

As obras da Linha 4 foram iniciadas em março de 2010, pelo Trecho Oeste, enquanto que as obras do Trecho Sul só foram iniciadas em outubro de 2012.

A previsão inicial de conclusão das obras e a entrada em operação da Linha 4 era o mês de junho de 2016, porém apenas a ligação entre a Barra (Jardim Oceânico) e Ipanema (Estação General Osório) entrou em operação nesta data.

A Estação Gávea tinha previsão para estar concluída em janeiro de 2018 (segundo o termo aditivo nº 4), mas até agora não saiu do papel. Um inquérito civil apura a paralisação da obra.

-