Dúvida do leitor

O leitor José Vinhote Costa envia a seguinte mensagem ao Gramatigalhas:

"Caro Professor, tenho visto com frequência a palavra 'oportunizar' em textos oficiais, o que me soa estranho, parecendo um neologismo. É correto?"

1) Um leitor diz ter visto com frequência a palavra oportunizar em textos oficiais. Parecendo-lhe estranha, indaga se é correto seu uso.

2) Sempre é bom lembrar – até para criar no leitor um raciocínio salutar que sempre deve ser repetido em tal situação – que, quando se quer saber se uma palavra existe ou não em português, deve-se tomar por premissa o fato de que a autoridade para listar oficialmente os vocábulos pertencentes ao nosso idioma é a Academia Brasileira de Letras.

3) E essa autoridade, a ABL a exerce por via da edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

4) Ora, uma simples consulta ao VOLP mostra que nele não se registra oportunizar, de modo que a forçosa conclusão a ser extraída é que essa palavra não existe em nosso léxico.

5) Em tais circunstâncias, se se quer usar um vocábulo com esse significado, a solução é escolher um sinônimo entre as palavras existentes em português com a acepção pretendida pelo usuário (possibilitar ou ensejar, por exemplo), ou mesmo construir um torneio com o mesmo radical da palavra pretendida (dar ou abrir oportunidade) ou mesmo com outra palavra (dar ensejo).

6) Usar, porém, um vocábulo inexistente, a pretexto de neologismo, não constitui alternativa que esteja ao alcance do usuário do idioma.

7) Sempre é oportuno observar adicionalmente que, em circunstâncias como essa, nos meios jurídicos e forenses, há uma equivocada tendência de alguns, com pretensão de uma jamais alcançada erudição, para empregar vocábulos arrevesados e barrocos, muitas vezes inexistentes, como esse que agora é trazido para análise.

8) O máximo que conseguem, todavia, é um texto de difícil leitura e compreensão, muito distante do ideal que só a simplicidade consegue alcançar.

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José Maria da Costa

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.