A inadimplência e as festas de fim de ano

Letícia Zuccolo Paschoal da Costa*

Juliana Fosaluza*

Este ano o comércio varejista já comemora as vendas de final de ano, que, de acordo com recentes projeções divulgadas por diversas associações comerciais, deve superar bastante os resultados verificados nos últimos anos. O desempenho é atribuído ao elevado nível de emprego, à expansão de rendimentos dos consumidores e à facilidade de acesso ao crédito. Por outro lado, de acordo com recente pesquisa divulgada pela Serasa Experian, com base nas variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos e dívidas não bancárias — lojas em geral, cartões de crédito, financeiras etc. — o índice de inadimplência do consumidor cresceu muito em novembro, após o "Dia das Crianças", e é o maior registrado nos últimos cinco anos.

Neste mês de dezembro, os riscos de endividamento aumentam significativamente, com o Natal e a virada do ano, datas nas quais além da tradicional troca de presentes, o consumidor ainda se preocupa com presentes para colegas de trabalho, amigo secreto, bem como com os preparativos para as ceias comemorativas e demais encontros familiares que sempre elevam as despesas e, em muitos casos, ultrapassa o limite do orçamento do mês, mesmo contando com o 13º salário.

Somem-se a esse quadro as viagens de fim de ano e as despesas com a chegada do período de férias. Nesse período, considerado "alta temporada", os custos de viagens e os preços dos produtos nas regiões que mais recebem turistas também aumentam consideravelmente. E, como se não bastasse, o início do ano vem marcado pelas tradicionais despesas com IPVA, IPTU, seguros, matrícula, uniformes e materiais escolares, dentre outras.

É neste cenário, aliado às facilidades de concessão de crédito, que as estatísticas de superendividamento e inadimplência ganham corpo. Por tudo isso e, para se evitar situações delicadas, alguns cuidados devem ser recomendados aos consumidores, tais como:

1) prepare previamente uma lista contendo os produtos que precisam ser adquiridos, separando-os por gênero (alimentos, presentes etc.), depois disso, confira atentamente e verifique o que pode ser descartado ou substituído por um item mais econômico (isso evita desperdícios);

2) apesar da correria de final de ano, vale a pena comparar os preços, cotando-os em pelo menos três estabelecimentos diferentes (não se engane, pois nem tudo é "tabelado");

3) cuidado com as armadilhas de facilitação de pagamento, com parcelamentos esticados e com início do pagamento para depois do Natal;

4) caso não seja possível comprar os produtos ou contratar os serviços à vista, opte por um prazo de pagamento menor e com entrada no ato da compra;

5) evite utilizar limites bancários — o famoso "cheque especial" — e estourar os limites do cartão de crédito;

6) mesmo assim, caso necessite de um reforço financeiro, não contrate crédito ofertado por telefone, caixas eletrônicos ou internet (compare as tarifas e fale com seu gerente, pois um empréstimo bancário cuidadosamente contratado pode oferecer condições mais favoráveis que a utilização do limite do próprio "cheque especial").

No mais, é só aproveitar o período de festas e utilizar as férias para relaxar um pouco, evitando, dessa forma, que o início do novo ano venha acompanhado de "surpresas" nada agradáveis. Manter reservas financeiras e preparar uma poupança para imprevistos são rotinas que, além de tudo, devem fazer parte da cadeia de consumo. Consumo consciente é a garantia de um ano de inúmeras oportunidades.

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*Advogadas do escritório Edgard Leite Advogados Associados










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